CRISTINA MENEGUELLO

Profesora de la Universidade Estadual de Campinas (BR)

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    Breve C.V.:

    Doutora em História (Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP), com estágios pós-doutorais nas Universidades de Veneza e Coimbra. Docente na Universidade Estadual de Campinas.

    Membro fundados do TICCIH Brasil (Comitê Brasileiro pela Conservação do Patrimônio Industrial Brasileiros), atual vice-presidente do Comitê.

    Autora de artigos e livros, dentre os quais da Ruína ao Edifício (Annablumme, 2008) e Dicionário Temático em Patrimônio (com Aline Carvalho, Editora da Unicamp, 2020).

    Líder do Grupo de Pesquisa CNPq Políticas de Memória, Arte e Patrimônio.

    Patrimônio Industrial e a Estetização do Abandono.

    Sección: Conservación, seguridad e intervenciones sobre el patrimonio.

    Os objetos industriais patrimonializados são objetos-limite, nos quais o regime de historicidade se transforma num regime de patrimonialidade, resolvendo de forma não-binária a relação entre local e global (ou entre a sociedade civil organizada e o Estado) Isso serve às ruínas patrimonializadas, ou “artistificadas”, momento em que servem de suporte para manifestações outras que, ao mesmo tempo em que se servem da impressão de medo e abandono que esses locais podem gerar, contribuem, talvez inadvertidamente, para que esses espaços sejam novamente “enxergados” nas cidades.

    Entre grupos organizados, o patrimônio permanece como uma forma de reivindicação (de pertencimento, de historicidade, de relevância dentro da história local). Se o monumento histórico necessita estar mediatizado pelo discurso histórico, a patrimonialização desses vestígios ganha um espaço fundamental. Mas e as ruínas dos lugares de trabalho sobre as quais não se disputa nenhuma prática de rememoração? Essas são o terreno vazio (as brownfiels, das terrain vague, as friches), os “pequenos espaços de nada” que pontuam o tecido urbano esvaziando-o. Mas o objeto industrial traz, em si, uma boa memória?.

    Tornatore (“Beau comme un haut-forneau”, 2004) apontou que o processo patrimonialização desses bens implica um processo de perda – o desmantelamento das pesadas estruturas industriais e no qual se engaja o coletivo em um processo de memória (memória do movimento operário, memórias coletivas dos trabalhadores) em uma busca por consenso na qual, independente dos efeitos simbólicos e sociais, se baseia em um procedimento de neutralização e de estetização – que é, segundo ele, a base da instituição patrimonial. Esse procedimento de neutralização que a nova condição de patrimônio traz ao objeto industrial é percebida pelos que o protegem que devem, no entanto, conjecturar que esse seria um “preço” a ser pago para que se evite a completa destruição do bem.

    Patrimônio Industrial e a Estetização do Abandono.

    SECTION: CONSERVATION, SECURITY AND INTERVENTIONS ON THE HERITAGE.

    Heritage industrial ruins are "border objects". In their case, history develops into a heritage regime, dealing with the relationships between local and global, organized society and the State. That is the case of the industrial heritage ruins: When there are no organized groups, heritage remains a claim (belonging, historicity, relevance within local history they are made into artistic expressions. The impressions of fear and abandonment that these places can convey contribute, perhaps inadvertently, to those spaces once again be «seen» in the cities, although mostly as aesthetical objects.

    However, if the historical monument needs to be mediated by the historical discourse, the patrimonialization of these vestiges gains a deeper dimension. What about the ruins of workplaces over which no remembrance practices are disputed? Those are the empty spaces (brownfields, terrain vague, friches), the «little spaces of nothing» that punctuate the urban fabric by emptying it.

    Can the industrial object have, in itself, a positive memory? Tornatore («Beau comme un haut-forneau», 2004) pointed out that the heritage process of industrial sites implies a process of loss – the dismantling of massive industrial structures and in which the collective engages in the process of memory (memory of the workers movement, collective memories of workers) in a search for consensus in which, regardless of symbolic and social effects, is based on a procedure of neutralization and aestheticization.

    This neutral condition and ineffective condition that the new patrimonial condition brings to the industrial site is well perceived by those who fight for its protection. They must, however, conjecture that this would be a «price» to be paid in order to avoid complete destruction.